quinta-feira, 23 de maio de 2013

Coletânea [017]


012. «Dos Tratamentos» (1845)



O texto que, neste post, começa a apresentar-se é constituído por uma parte do cap. III - «Dos Tratamentos» - do livro Codigo do Bom Tom, ou Regras de Civilidade e de Bem Viver no XIXº Seculo, escrito por J[ose]-I[gnacio] Roquette (1801-1870). O autor apresenta-se, nas duas primeiras edições, como «Cavalheiro da Imperial ordem da Rosa, / E Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa.» Em edições posteriores, porém, a lista de títulos é mais completa: «Conego da Se Patriachal / Professor d’Eloquencia Sagrada no Seminario de Santarem / Cavalheiro das Ordens de N. S. da Conceição em Portugal / E da Rosa no Imperio do Brazil / E Socio Correspondente da Academia real das Sciencias de Lisboa.»

Além do Codigo do Bom Tom […], Roquette é também autor de vários outros livros, sobre temas diversos, incluindo traduções. De entre os primeiros, é de referir, pelas relações que tem com a Cortesia Linguística, Codigo Epistolar […] (1846), depois reeditado com títulos desenvolvidos e novas edições, cada uma delas «consideravelmente aumentada e corrigida».
A primeira edição do Codigo do Bom Tom […] é de 1845 e a segunda, muito provavelmente de 1859 (este último algarismo, na edição consultada, não se encontra completamente legível).

Na «Advertência», o autor esclarece, a dado passo:

«Suppõe-se nelle [livro] um Gentilhomem que saíra de Portugal em 1834 com dous filhos de menor idade, órfãos de sua mãi, os quaes mandou educar em França, e a quem leva para a patria depois de dez anos de ausencia. Como remate da desvelada educação que lhes déra, ensina-lhes não só tudo o que pertence á civilidade e cortezia, mas em suas instrucções dá-lhes muitos conselhos saudaveis para bem viverem com os homens, e não só em Portugal senão em França.» [ROQUETTE, 18592: i]

J.-I. Roquette, no referido capítulo, resume, a dado passo, as leis joanina (1739) e filipina (1597), já neste blogue apresentadas, com inícios, respetivamente, AQUI e AQUI. Optou-se, por isso, pela omissão desses resumos, assinalada pela sequência de reticências, entre parênteses retos.


Tal como se fez em relação a textos longos, também será apresentado em fragmentos este





[Continuará]

Nota:
Respeitou-se a grafia das edições consultadas.

Bibliografia: ROQUETTE, J.-I., 18592: Codigo do Bom Tom ou Regras de Civilidade e de Bem Viver no XIX.º Seculo. Pariz: Casa de J.-P. Aillaud; pp. 46 e 49. A 4.ª edição (1875), com 4 estampas coloridas, encontra-se disponível AQUI.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Coletânea [016]


011. «A podridão dos tratamentos nobilitarios» (1866)



O trecho, que neste post se apresenta, encontra-se n’A Queda d’um Anjo (1866), de Camilo Castelo Branco (1825-1890). É um fragmento da intervenção política que a conhecida personagem, Calisto Eloy de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, deputado por Miranda, proferiu no parlamento, desejoso de «pôr cobro ao luxo da gente de Lisboa».

O conservador deputado transmontano, decidido a «cauterisar as chagas do corpo social, e não a cobril-as de pachos e lenimentos palliativos», ataca o «oiro, pedrarias, sedas, veludos, pompas, vaidades» que diz ver «por toda a parte», na capital, nomeadamente, na vida que levam certos «peraltas enluvados e encalamistrados» - «peralvilhos» - fazendo «despezas da sua fazenda, ou talvez da fazenda que não é sua.»

É neste contexto de falsos estatutos (económicos, sociais e culturais) que o protagonista, depois de invocar a lei joanina de 1739 [ver AQUI e posts seguintes], se insurge contra «a podridão dos tratamentos nobilitarios».

O trecho, embora de ficção, revela as transformações por que passavam (continuavam a passar), no séc. XIX, as formas/fórmulas de tratamento portuguesas, apesar das leis e alvarás régios que pretendiam fixar suas regras, determinando usos e coimando abusos e incumprimentos.




Bibliografia
BRANCO, Camilo Castelo, 1866: A Queda d’um Anjo. Lisboa: Livraria de Campos Júnior, Editor; pp. 61-63. Na edição consultada, em pdf, donde foram retiradas as imagens apresentadas, pp. 65-67. [Foi respeitada a grafia da edição consultada, em todas as citações, incluindo título.]